O apóstolo Paulo 12:10 escreveu: “[…] e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.” A que lhes parece que o apóstolo se refere quando fala de “variedade de línguas” e “interpretação de línguas”? Idiomas ou as ditas “línguas estranhas” deixadas inexplicadas nos cultos pentecostais e neopentecostais?

A que Lucas se refere ao escrever que “todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (Atos 2:4); “cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” (Atos 2:6–8); “todos os temos ouvido em nossas próprias línguas” (v. 11)? Idiomas ou as ditas “línguas estranhas” dos cultos pentecostais e neopentecostais?

Paulo também escreveu: “[…] o que fala línguas estranhas, a não ser que também interprete, para que a igreja receba edificação” (1 Coríntios 14:5). Por que os irmãos que falam naquela linguagem ininteligível, não interpretam para nós o que acabaram de falar? Ou seja. Falam daquele jeito e deixam a igreja sem a devida edificação.

O apóstolo diz ainda: “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento” (1 Coríntios 14:15).

Agora vejamos um caso concreto. Com todo o respeito aos irmãos que lideram uma pequena igreja em uma aldeia guarani mbyá. Quando a cacique, que é cristã, fala à igreja em sua língua nativa, ela, em seguida, fala em Português, pelo menos um resumo do que falou antes em guarani. Mas os líderes da igreja, que pertencem a uma igreja de natureza pentecostal, quando falam em linguagem ininteligível, não nos dizem em nossa língua o que acabaram de falar. “Doutra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto o Amém sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado. […] Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida (1 Coríntios 14:16–17, 19).

Paulo ainda argumentou de modo a liquidar a questão. Se eu orar em inglês ou espanhol, por exemplo, o meu entendimento se beneficia, porque sabe o que estou a dizer a Deus; mas, “se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto” (1 Coríntios 14:14). Orar usando linguagem ininteligível, extática, deixa os outros sem edificação e nem a própria pessoa que ora se edifica, porque nem o seu próprio entendimento colhe qualquer fruto.

Por que o fenômeno de falar tais línguas estranhas não é universal, visto que muitos cristãos de denominações não pentecostais, que são verdadeira e reconhecidamente usados pelo Espírito Santo para diversos propósitos e em diversas situações, não se sentem compelidos a se manifestar desse modo?

Por tudo isso, nem perguntarei se essa prática de deixar linguagem ininteligível inexplicada é correta, nos termos das escrituras.